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Wednesday, 3 August 2011

Carta aberta aos meus alunos

Carta aberta aos meus alunos: Gonçalo, Ana Isabel, Diogo, Ana Carolina, Francisco, Maria João, Matilde, Mariana, Rui Duarte, Leonor, Marisa, Maria Inês, Beatriz, Íris, Fábio e Meira Fernandes.

Meus queridos,

como não tive oportunidade de me despedir de vocês, pois só muito recentemente soube que não iria mais ser vossa professora, resolvi escrever-vos. Pois não consigo partir sem vos deixar uma palavra de afecto.

Para mim foi um privilégio ter-vos conhecido e privado de uma forma tão intensa e humana ao longo destes últimos dois anos. Não esqueço o quanto os vossos sorrisos, alegria e entusiasmo me deram ânimo nos dias mais cinzentos.

Sentí-me desafiada pelas vossas ideias e sonhos, e tentei dar a todos a oportunidade de os realizar. Sem dúvida, juntos criamos momentos inesquecíveis!! Fizemos maluqueiras e foi tão bom!! Adorei ver a vossa completa disponibilidade para experimentar novos cenários musicais. Vocês são uns "inventores" natos! Não percam essa energia criativa de pura experimentação e de puro prazer. É assim que nascem as inovações, sejam elas em que área for.

Por favor, continuem a esforçar-vos para vencer os desafios musicais e não se esqueçam que fazer música tem de ser uma ALEGRIA!! Quão feliz ficava por ver o vosso prazer e entusiasmo, muito genuíno, sempre que tocavam piano em público... não percam essa alegria. Quero que este seja o meu maior legado para vocês.

Dói-me muito esta separação mas não deixarei que nada nem ninguém vos tire do meu coração. Vocês entraram na minha vida e aí permanecerão. Gosto muito de vocês (não o esqueçam!) e se precisarem de mim, nem que seja daqui a uns anos, contactem-me. Eu proteger-vos-ei sempre!!

Despeço-me com muito, mas mesmo muito, carinho.

Com saudades...

Teresa Vila Verde





Saturday, 12 February 2011

"Talk Show" de Rui Horta - Impressões a Quente




Este espectáculo é muito mais do este video.

Há muitas "camadas", imagens, palavras, suores, sinais característicos dos corpos envelhecidos, mãos entrelaçadas, sexo, abraços, que estão ausentes aqui.

Há um rodopio constante de corpos e palavras que se vêm, se ouvem, se imaginam e que nos intoxicam pensamentos e sentidos.

Vemo-nos ali, sem máscaras... a nossa matéria física, espiritual e evolutiva ao longo do tempo.
Um corpo que é também o nosso, enredado em paixões, histórias, sentimentos exacerbados e em ternura.

Aqui, questiona-se se o amor ao longo dos anos. Será isso possível? Se sim, como se transmutará numa e noutra e ainda noutra "coisa" que também é amor? Como é amar alguém aos 20 e aos 60 anos?

A minha questão aqui é, nos tempos de crise, de instabilidade e de egoísmo que vivemos, será possível o amor perdurar anos? Poderá ele sobreviver às crises, dúvidas, mágoas, cicatrizes, desilusões, silêncios, afastamentos... será o amor ainda uma possibilidade "possível" nos dias de hoje?

"Talk Show" é um exercício sobre estas questões; e sim, dá-nos algumas pistas de como isso poderá ser possível, apesar de todos os tumultos que nos rasgam a alma...

Este espectáculo conseguiu falar-me de Amor. Que benção!

Tvv

PS: Curioso ver este espectáculo numa altura em que tenho de estudar "gestão de conflitos" e reflectir sobre estratégias para a sua resolução, como a negociação entre pares. Tudo o que leio relativamente a este tema (sempre interligado à educação) posso aplicar na minha esfera privada. São este tipo de conexões que me enriquecem a vida. Eu interligo TUDO na minha vida.




Wednesday, 9 February 2011

Homens-Serpente, segundo Rosario Villalobos

"Há um certo tipo de homens que se distingue dos outos.

É aquilo a que chamo de homens-serpente. Avistam as supostas vítimas,começando muito lentamente a rastejar em direcção a elas... São suaves, delicados, educados, muitas vezes mostram-se verdadeiros gentlemen.

Bem-humorados e com um espírito jovial e solto, vão gastando bocadinhos de tempo, aqui e ali, rodeando a vítima muito suavemente!...

Tão suavemente, que se aquela não tiver vivido o suficiente, deixar-se-á envolver no seu visco, sem qualquer suspeita ou hesitação.

Um dia oferecem uma flor - simples, pois claro, eles conhecem bem o coração das mulheres...

No outro, uma canção - romântica, que não querem que elas se dispersem e voem...

Um coração aqui, um beijo acolá.

E os anéis vão apertando a presa, sem que ela dê por isso.

[Muitas vezes, conseguem até levá-las ao casamento]

Inebriadas, dizem aos quatro ventos como eles são bons, como eles as tratam bem, como são carinhosos e meigos.

Mas não sabem que por baixo do verniz, do polimento, da pele, está uma serpente.

Dizem que não se deve olhar uma serpente nos olhos. Será que a razão se esconde no facto de que, se a olhássemos, veríamos o seu desejo íntimo de destruição?...

E, no entanto, há sempre um dia fatídico em que esses homens se mostram tal qual são: agressivos, mal-educados, violentos, egoístas.

São incapazes de pensar no outro, de sofrer por ele, de perdoar ou fazer-se perdoar.

Duros. Cínicos.

Crêem-se fortes, mas na realidade são dignos de dó. A sua força reside na fraqueza dos outros. No seu medo. Na sua humilhação. Quando isso não existe, sentem-se acossados, deprimidos. Retiram-se, isolam-se. Sentem-se eles próprios vítimas das circunstâncias, da vida.

Estes homens-serpente são o tipo mais perigoso, de todos os tipos de homem que existem... porque não andam, deslizam.

Um conselho: Olhem sempre uma serpente nos olhos. Verão se lá dentro existe um homem.

R*

5 de Setembro 2010"


Obrigada Rosário, pela tua clarividência.

Há, efectivamente, pessoas assim...


Teresa VV