Tuesday, 18 October 2011

Vídeo "Straight from the Heart"

Vídeo vencedor do Prémio do Público do concurso "Performance Inside the Screen", integrado na 4ª Edição do Festival de Teatro "É-Aqui-In-Ócio" da Póvoa de Varzim.

Straight from the Heart from Teresa Vila Verde on Vimeo.

TVV


Entrevista a Semanário da Póvoa de Varzim

SECÇÃO: Cultura

Entrevista a Teresa Vila Verde

A Dança dos Sentidos

Teresa Vila Verde

"Nascida em Barcelos em 1974, Teresa Vila Verde é licenciada em Bioquímica pela Universidade do Porto e é licenciada em piano pela Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo. Tem mestrado em Música Contemporânea pela Brunel University, West London e dá aulas de piano na Escola de Música da Póvoa de Varzim. Na 4ª edição do Festival de Teatro É-Aqui-In-Ócio, venceu o prémio do público, melhor performance, com o vídeo “Straight from the heart”.

A Voz da Póvoa – Como é que descobriu o caminho da performance?

Teresa Vila Verde – Foi com a música contemporânea e por influência do compositor americano George Crumb. Comigo o piano tem que estar amplificado para as pessoas ouvirem todas as vibrações. Tenho a escola do som perfeito, do clássico, sei o que é tocar bem e gosto disso. Mas também gosto de explorar os sons da madeira, o som do gesto, das vibrações do corpo no piano. Foi uma linguagem que desenvolvi no meu projecto de improvisação.

A.V.P. – Os seus espectáculos convivem muito com o momento de improviso?

T.V.V. – O momento é importante mas a improvisação tem muito trabalho. Nos ensaios vou criando esquemas e linguagens que funcionam como marcações. Mas depois, em palco, nunca sei exactamente o que vou fazer. Sei começar e como acabar, quando vai ser mais agreste ou mais doce, mas não pretendo perder a espontaneidade. Há um tempo elástico que nos permite ir sempre mais além. Nada colide, tudo se completa.

A.V.P. – Há alguma situação em que o piano possa sair mal tratado?

T.V.V. – Sei onde ponho as mãos e a forma como as coloco. Isto de ir para dentro do piano em busca de sons já se faz desde os anos 60 do século passado, não inventei nada. O gesto é realmente forte mas a estucada é suave. Com o piano tento fazer abordagens diferentes do convencional, mas tem muito teatro. Tal como na infância, volta-se ao espanto e à surpresa.

A.V.P. – Cada espectáculo que faz é um mundo de afectos que procura?

T.V.V. – Tem que ser capaz de transformar os outros e de me transformar. Pina Bausch sempre falou do amor e eu gostava de homenageá-la com um espectáculo sobre o amor. A falta de amor gera vazios. Tal como o espectáculo, o amor é uma construção, implica saber lidar com a frustração e com a dúvida.

A.V.P. – Como se libertou de uma sociedade pouco aberta ao imaginário?

T.V.V. – Venho de uma sociedade católica em que o corpo é pecado e de uma escola intelectual onde o corpo não existe. Continuo a ser profundamente cristã nos valores, mas penso pela minha cabeça e analiso segundo os contextos. Tenho muito respeito pelo outro ser humano. Sei que vivo num mundo que parece não ter valores, onde não há a educação para o amor. Isso choca-me.

A.V.P. – Como professora de piano o quê que mais investe nos alunos?

T.V.V. – Tento criar relações genuínas com eles. É importante interligar a música às suas vidas e não fechá-los no dogmatismo da perfeição que se adequa ao século XIX e à estética do centro da Europa. Os miúdos são inventores e improvisadores natos. Sou uma pessoa adulta e não me apetece esconder nada das crianças. Não consigo ter vidas duplas nem máscaras.

A.V.P. – Gostaria de continuar a conciliar o ensino com o espectáculo?

T.V.V. – Quero continuar a dar aulas e fazer as minhas performances. Sinto que sou uma boa professora para miúdos tímidos, que têm que ser desembrulhados, porque fui essa criança na infância. Não quero fechar-me seis horas no piano sem falar com ninguém. A arte não é um sacerdócio. Quero uma vida. Eu sei que sou uma pessoa feliz. As pessoas que não têm a segurança dos afectos são muito mais vulneráveis."

In Jornal "A Voz da Póvoa" de 12/Outubro/2011

Acessível em: http://www.vozdapovoa.com/noticia.asp?idEdicao=299&id=11069&idSeccao=2729&Action=noticia

TVV

Tuesday, 6 September 2011

Performance Inside the Screen - Mostra/Concurso de Video no Festival "É-Aqui-In-Ócio"

A quarta edição do festival de teatro “E-Aqui-In-Ócio” na Póvoa de Varzim realiza-se de 23 de Setembro a 1 de Outubro.


Este ano a grande novidade do festival é o lançamento de um concurso de curtas-metragens ligadas ao teatro., o “Perfomance Inside The Screen”.


O objectivo deste desafio é pôr em competição obras cinematográficas relacionadas com as diferentes áreas das artes performativas, do circo à dança e, claro, o teatro.


O vídeo deve incluir pelo menos uma performance, que poderá ser gravada ao vivo ou em estúdio. Estas curtas-metragens devem ser criativas e não podem ter mais do que 15 minutos.


O prazo de submissão é 15 de Setembro.


Regulamento

* Podem utilizadas imagens captadas em qualquer tipo de formato (analógico, digital) e qualquer tipo de câmara (Super 8, câmaras HD. Etc.)

* A curta-metragem não pode ter mais de 15 minutos

* Só poder ser usada banda original ou música sem qualquer tipo de direito reservado

* O prazo de submissão é 15 de Setembro * Os vídeos devem ser enviados via www.wetransfer.com parapaulo2pinto@gmail.com


Para mais informações contactar paulo2pinto@gmail.com

Exemplo: http://www.youtube.com/watch?v=9ms7MGs2Nh8

Wednesday, 3 August 2011

Carta aberta aos meus alunos

Carta aberta aos meus alunos: Gonçalo, Ana Isabel, Diogo, Ana Carolina, Francisco, Maria João, Matilde, Mariana, Rui Duarte, Leonor, Marisa, Maria Inês, Beatriz, Íris, Fábio e Meira Fernandes.

Meus queridos,

como não tive oportunidade de me despedir de vocês, pois só muito recentemente soube que não iria mais ser vossa professora, resolvi escrever-vos. Pois não consigo partir sem vos deixar uma palavra de afecto.

Para mim foi um privilégio ter-vos conhecido e privado de uma forma tão intensa e humana ao longo destes últimos dois anos. Não esqueço o quanto os vossos sorrisos, alegria e entusiasmo me deram ânimo nos dias mais cinzentos.

Sentí-me desafiada pelas vossas ideias e sonhos, e tentei dar a todos a oportunidade de os realizar. Sem dúvida, juntos criamos momentos inesquecíveis!! Fizemos maluqueiras e foi tão bom!! Adorei ver a vossa completa disponibilidade para experimentar novos cenários musicais. Vocês são uns "inventores" natos! Não percam essa energia criativa de pura experimentação e de puro prazer. É assim que nascem as inovações, sejam elas em que área for.

Por favor, continuem a esforçar-vos para vencer os desafios musicais e não se esqueçam que fazer música tem de ser uma ALEGRIA!! Quão feliz ficava por ver o vosso prazer e entusiasmo, muito genuíno, sempre que tocavam piano em público... não percam essa alegria. Quero que este seja o meu maior legado para vocês.

Dói-me muito esta separação mas não deixarei que nada nem ninguém vos tire do meu coração. Vocês entraram na minha vida e aí permanecerão. Gosto muito de vocês (não o esqueçam!) e se precisarem de mim, nem que seja daqui a uns anos, contactem-me. Eu proteger-vos-ei sempre!!

Despeço-me com muito, mas mesmo muito, carinho.

Com saudades...

Teresa Vila Verde





Monday, 11 July 2011

"Gosto" de Maria Teresa Horta

"Gosto que me tomes

me abras

me invadas


me voltes e tornes

me envolvas

e faças


Gosto que me entornes

me abraces

me lavres


Me beijes e bebas

me enlaces

e largues


Gosto que me voltes

me pegues

me mates


Me dês um nó

Cego

e depois me desates"



Eu também gosto, Teresa

Tvv