Friday, 25 November 2011

Tssss...odeio o amor



Fotos de Jan Saudek

“Estiveste alguma vez apaixonado? É horrível, não é? Fica-se tão vulnerável? Ficas com o peito e o coração abertos e outra pessoa pode entrar dentro de ti e resolver-te por dentro. Constróis todas essas defesas, constróis uma armadura que te cobre de alto a baixo para que ninguém te possa ferir, e depois uma pessoa estúpida, igual a qualquer outra pessoa estúpida, atravessa-se na tua vida... Dás-lhe um bocado de ti. Não to pediram. Fizeram um dia uma estúpidez qualquer, como beijar-te ou sorrir-te, e a tua vida deixou daí em diante de ser tua. O amor faz reféns. Entra dentro de ti. Come-te e deixa-te a chorar no escuro, e é assim que uma simples frase do tipo «talvez devêssemos ser só amigos» se transforma num estilhaço de vidro que te vai direito ao coração. Dói. Não é só na imaginação. Não é só mental. É uma dor da alma, uma dor real que te invade e te rasga e te parte. Odeio o amor.”

Violência
Slavoj Žižek


Bem, já o odiei mais do que agora...

tvv

Tuesday, 18 October 2011

Vídeo "Straight from the Heart"

Vídeo vencedor do Prémio do Público do concurso "Performance Inside the Screen", integrado na 4ª Edição do Festival de Teatro "É-Aqui-In-Ócio" da Póvoa de Varzim.

Straight from the Heart from Teresa Vila Verde on Vimeo.

TVV


Entrevista a Semanário da Póvoa de Varzim

SECÇÃO: Cultura

Entrevista a Teresa Vila Verde

A Dança dos Sentidos

Teresa Vila Verde

"Nascida em Barcelos em 1974, Teresa Vila Verde é licenciada em Bioquímica pela Universidade do Porto e é licenciada em piano pela Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo. Tem mestrado em Música Contemporânea pela Brunel University, West London e dá aulas de piano na Escola de Música da Póvoa de Varzim. Na 4ª edição do Festival de Teatro É-Aqui-In-Ócio, venceu o prémio do público, melhor performance, com o vídeo “Straight from the heart”.

A Voz da Póvoa – Como é que descobriu o caminho da performance?

Teresa Vila Verde – Foi com a música contemporânea e por influência do compositor americano George Crumb. Comigo o piano tem que estar amplificado para as pessoas ouvirem todas as vibrações. Tenho a escola do som perfeito, do clássico, sei o que é tocar bem e gosto disso. Mas também gosto de explorar os sons da madeira, o som do gesto, das vibrações do corpo no piano. Foi uma linguagem que desenvolvi no meu projecto de improvisação.

A.V.P. – Os seus espectáculos convivem muito com o momento de improviso?

T.V.V. – O momento é importante mas a improvisação tem muito trabalho. Nos ensaios vou criando esquemas e linguagens que funcionam como marcações. Mas depois, em palco, nunca sei exactamente o que vou fazer. Sei começar e como acabar, quando vai ser mais agreste ou mais doce, mas não pretendo perder a espontaneidade. Há um tempo elástico que nos permite ir sempre mais além. Nada colide, tudo se completa.

A.V.P. – Há alguma situação em que o piano possa sair mal tratado?

T.V.V. – Sei onde ponho as mãos e a forma como as coloco. Isto de ir para dentro do piano em busca de sons já se faz desde os anos 60 do século passado, não inventei nada. O gesto é realmente forte mas a estucada é suave. Com o piano tento fazer abordagens diferentes do convencional, mas tem muito teatro. Tal como na infância, volta-se ao espanto e à surpresa.

A.V.P. – Cada espectáculo que faz é um mundo de afectos que procura?

T.V.V. – Tem que ser capaz de transformar os outros e de me transformar. Pina Bausch sempre falou do amor e eu gostava de homenageá-la com um espectáculo sobre o amor. A falta de amor gera vazios. Tal como o espectáculo, o amor é uma construção, implica saber lidar com a frustração e com a dúvida.

A.V.P. – Como se libertou de uma sociedade pouco aberta ao imaginário?

T.V.V. – Venho de uma sociedade católica em que o corpo é pecado e de uma escola intelectual onde o corpo não existe. Continuo a ser profundamente cristã nos valores, mas penso pela minha cabeça e analiso segundo os contextos. Tenho muito respeito pelo outro ser humano. Sei que vivo num mundo que parece não ter valores, onde não há a educação para o amor. Isso choca-me.

A.V.P. – Como professora de piano o quê que mais investe nos alunos?

T.V.V. – Tento criar relações genuínas com eles. É importante interligar a música às suas vidas e não fechá-los no dogmatismo da perfeição que se adequa ao século XIX e à estética do centro da Europa. Os miúdos são inventores e improvisadores natos. Sou uma pessoa adulta e não me apetece esconder nada das crianças. Não consigo ter vidas duplas nem máscaras.

A.V.P. – Gostaria de continuar a conciliar o ensino com o espectáculo?

T.V.V. – Quero continuar a dar aulas e fazer as minhas performances. Sinto que sou uma boa professora para miúdos tímidos, que têm que ser desembrulhados, porque fui essa criança na infância. Não quero fechar-me seis horas no piano sem falar com ninguém. A arte não é um sacerdócio. Quero uma vida. Eu sei que sou uma pessoa feliz. As pessoas que não têm a segurança dos afectos são muito mais vulneráveis."

In Jornal "A Voz da Póvoa" de 12/Outubro/2011

Acessível em: http://www.vozdapovoa.com/noticia.asp?idEdicao=299&id=11069&idSeccao=2729&Action=noticia

TVV

Tuesday, 6 September 2011

Performance Inside the Screen - Mostra/Concurso de Video no Festival "É-Aqui-In-Ócio"

A quarta edição do festival de teatro “E-Aqui-In-Ócio” na Póvoa de Varzim realiza-se de 23 de Setembro a 1 de Outubro.


Este ano a grande novidade do festival é o lançamento de um concurso de curtas-metragens ligadas ao teatro., o “Perfomance Inside The Screen”.


O objectivo deste desafio é pôr em competição obras cinematográficas relacionadas com as diferentes áreas das artes performativas, do circo à dança e, claro, o teatro.


O vídeo deve incluir pelo menos uma performance, que poderá ser gravada ao vivo ou em estúdio. Estas curtas-metragens devem ser criativas e não podem ter mais do que 15 minutos.


O prazo de submissão é 15 de Setembro.


Regulamento

* Podem utilizadas imagens captadas em qualquer tipo de formato (analógico, digital) e qualquer tipo de câmara (Super 8, câmaras HD. Etc.)

* A curta-metragem não pode ter mais de 15 minutos

* Só poder ser usada banda original ou música sem qualquer tipo de direito reservado

* O prazo de submissão é 15 de Setembro * Os vídeos devem ser enviados via www.wetransfer.com parapaulo2pinto@gmail.com


Para mais informações contactar paulo2pinto@gmail.com

Exemplo: http://www.youtube.com/watch?v=9ms7MGs2Nh8

Wednesday, 3 August 2011

Carta aberta aos meus alunos

Carta aberta aos meus alunos: Gonçalo, Ana Isabel, Diogo, Ana Carolina, Francisco, Maria João, Matilde, Mariana, Rui Duarte, Leonor, Marisa, Maria Inês, Beatriz, Íris, Fábio e Meira Fernandes.

Meus queridos,

como não tive oportunidade de me despedir de vocês, pois só muito recentemente soube que não iria mais ser vossa professora, resolvi escrever-vos. Pois não consigo partir sem vos deixar uma palavra de afecto.

Para mim foi um privilégio ter-vos conhecido e privado de uma forma tão intensa e humana ao longo destes últimos dois anos. Não esqueço o quanto os vossos sorrisos, alegria e entusiasmo me deram ânimo nos dias mais cinzentos.

Sentí-me desafiada pelas vossas ideias e sonhos, e tentei dar a todos a oportunidade de os realizar. Sem dúvida, juntos criamos momentos inesquecíveis!! Fizemos maluqueiras e foi tão bom!! Adorei ver a vossa completa disponibilidade para experimentar novos cenários musicais. Vocês são uns "inventores" natos! Não percam essa energia criativa de pura experimentação e de puro prazer. É assim que nascem as inovações, sejam elas em que área for.

Por favor, continuem a esforçar-vos para vencer os desafios musicais e não se esqueçam que fazer música tem de ser uma ALEGRIA!! Quão feliz ficava por ver o vosso prazer e entusiasmo, muito genuíno, sempre que tocavam piano em público... não percam essa alegria. Quero que este seja o meu maior legado para vocês.

Dói-me muito esta separação mas não deixarei que nada nem ninguém vos tire do meu coração. Vocês entraram na minha vida e aí permanecerão. Gosto muito de vocês (não o esqueçam!) e se precisarem de mim, nem que seja daqui a uns anos, contactem-me. Eu proteger-vos-ei sempre!!

Despeço-me com muito, mas mesmo muito, carinho.

Com saudades...

Teresa Vila Verde