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Saturday, 4 December 2010
O problema do "sentir"
A dança é outra das minhas paixões.
Quando vi ELECTRA da Olga Roriz algo mudou em mim.
Esqueci tudo e todos e só me lembro de fugir do teatro para, escondida, chorar...
porque não compreendia o que sentia
porque estava sufocada de tanto "sentir"
por tomar consciência que "não sentia" na minha vida
porque estava FELIZ por conseguir "sentir" novamente.
Eu preciso da Arte para ser um humano pleno!
Tvv
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sentir
Tuesday, 3 November 2009
Desabafos de um Médico
Uma das experiências mais marcantes da minha vida de estudante foi assistir ao segundo parto da minha vida. Houve o meu há 25 anos. E houve o de uma jovem mulher que nunca conheci numa das já longínquas semanas de aulas na Faculdade. Era o Bloco de Obstetrícia que decorria e, em toda a ignorância daquele momento, assistia a uma das maiores alegrias que o género humano pode conhecer. O nascimento de alguém.
Muitos anos mais tarde, confrontei-me com a vivência do doente demente. E atroz o sofrimento e a perda de dignidade. Era um médico interno incauto e, a meu lado, estavam dois adolescentes. O pai, de idade avançada - mas, como sabiamente se diz em Psiquiatria Geriatrica, ainda "jovem" -, prostrado na cama. E aqueles dois olhares, a estrondarem esperança e desespero por todos os lados, seguiam-me por todo o lado. Auscultava aquela pessoa, que ardia de febre e frases soltas e desconexas. Os adolescentes, irmao e irma, vertiam discretas lágrimas. Diziam-me que não tinham mais ninguém com quem contar. Estavam, de facto, sós. A demencia de alguém é partilhada. Não estamos sós na doença.
Por momentos, olhava o corredor que dava em frente daquele quarto. Um outro doente deambulava pelo corredor, sem sentido definido. Como a vida da maioria das pessoas, talvez. Soltava gemidos, ininteligíveis. E a alma, que lutava por um pouco de dignidade, ia e vinha. O corpo daquele doente "trausente" movia-se de uma força inanimada, quase que por inércia. Olhava, incredulo e chocado, a manifestaçao violenta do que é a demencia. E, para muitos doentes, o estado de morto-vivo. Se-lo-a, um dia, para algum de nos?
Olhava de novo o doente, pai daqueles jovens. E pensava com toda a minha coléra e raiva se era "justo" uma vida humana se hipotecar daquela forma espectacular. O homem fora um dia um menino, com sonhos e projectos por concretizar. Era ignorante de todos os misterios insondaveis da vida humana que, mais tarde ou mais cedo, o peso e angustia do tempo que passa, fatalmente, nos traz. Poucas vezes nos atrevemos a revisitar a nossa existencia e a nos colocarmos as questoes fundamentais que gravitam em torno da aspiraçao mais universal: ser feliz. Alguma vez aquela pessoa imaginara terminar assim a sua vida? Senti-me, por momentos, e no usufruto do meu egoismo, o homem mais sortudo à face da terra. Quao melhores, talvez "bons", seriamos, de facto, se dessemos o real valor ao "taken for granted" dos nossos dias.
Muitas vezes, é a força fatal da demencia que sopra, com elegancia, os pilares ocos que nos constituem. O estado de "doença", na medida em que nos fragiliza, devolve-nos, muitas vezes, a verdadeira noçao do que é importante. Dissolve o narcissismo e a prepotencia subtil que a vida colectiva e de "copetiçao" nos imprime. Muitas vezes, sem que sequer tao pouco disso nos apercebamos. Por vezes, tarde demais. E ao olhar aquele homem, cadaver adiado que jamais voltaria a procriar, senti a minha mortalidade em todo o seu peso. Nos, médicos, temos um medo desgraçado da morte - quem nao tem? - e muitas vezes cometemos o "erro" estrondoso de conceber um acto médico isolado da carga afectiva, de "sentido", que pode significar uma mudança num rumo de vida. Ver o corpo de um doente demente putrificar-se, devorado por todas as possiveis e mais baixas co-morbilidades que se pode imaginar, é brutal. E horrivel chegar a casa e, enquanto o meu flatmate come um pessego, dizer-lhe, friamente, que uma doente morreu naquele mesmo dia depois de ter aspirado o caroço de um pessego. Adivinhem la? Sim, sofria de uma demencia e a Mae-Natureza, que felizmente nos fez mortais - aos bons e aos maus, aos corruptos e aos justos, aos egoistas e aos solidarios -, escolheu daquele modo ceifar a vida daquela mulher inocente.
Pergunto-me, por vezes, se realmente damos valor a estas coisas. Na anestesia fulminante que vivemos hoje, que tem o seu esplendor na solidao e na devassidao das conversas que gravitam nos ares de Nova Iorque e todas as grandes cidades, que tempo nos concedemos para renovar o "nosso" sentido? Ulisses, moldado por forças divinas, viajou longos anos pelos recessos do Mundo antigo à procura da sua "casa". Como bem diz Antonio Lobo Antunes, a moral da historia de Ulisses "foi ter chegado atrasado a casa".
Olhava o exterior daquele quarto triste. O vento soprava, suave, e libertava as folhas menos resistentes das arvores de Belle-Idée. Ao meu lado, aquela pessoa, que de todo desconhecia, estava ja "a caminho". E os dois adolescentes, cheios de ternura na sua expressao de perda, abraçavam-se.
Há dias fui ao dentista. Disse-me que tinha uma carie, mas que teria de escolher entre tratar isso ou fazer a limpeza dentaria que motivara a minha consulta. Pensando neste doente "demente" (e que, na realidade, podemos ser muito dementes na ausencia de demencia), com toda a frieza do Arctico, achei que aquele dentista nao tinha categoria para ser médico. E atroz que haja cada vez mais "profissionais da Medicina" e cada vez menos "profissionais na Medicina".
A coisa mais odiosa que nos pode suceder é a escolha voluntaria da "demencia" e da ignorancia de si.
Vítor Hugo
1 Nov 09
Muitos anos mais tarde, confrontei-me com a vivência do doente demente. E atroz o sofrimento e a perda de dignidade. Era um médico interno incauto e, a meu lado, estavam dois adolescentes. O pai, de idade avançada - mas, como sabiamente se diz em Psiquiatria Geriatrica, ainda "jovem" -, prostrado na cama. E aqueles dois olhares, a estrondarem esperança e desespero por todos os lados, seguiam-me por todo o lado. Auscultava aquela pessoa, que ardia de febre e frases soltas e desconexas. Os adolescentes, irmao e irma, vertiam discretas lágrimas. Diziam-me que não tinham mais ninguém com quem contar. Estavam, de facto, sós. A demencia de alguém é partilhada. Não estamos sós na doença.
Por momentos, olhava o corredor que dava em frente daquele quarto. Um outro doente deambulava pelo corredor, sem sentido definido. Como a vida da maioria das pessoas, talvez. Soltava gemidos, ininteligíveis. E a alma, que lutava por um pouco de dignidade, ia e vinha. O corpo daquele doente "trausente" movia-se de uma força inanimada, quase que por inércia. Olhava, incredulo e chocado, a manifestaçao violenta do que é a demencia. E, para muitos doentes, o estado de morto-vivo. Se-lo-a, um dia, para algum de nos?
Olhava de novo o doente, pai daqueles jovens. E pensava com toda a minha coléra e raiva se era "justo" uma vida humana se hipotecar daquela forma espectacular. O homem fora um dia um menino, com sonhos e projectos por concretizar. Era ignorante de todos os misterios insondaveis da vida humana que, mais tarde ou mais cedo, o peso e angustia do tempo que passa, fatalmente, nos traz. Poucas vezes nos atrevemos a revisitar a nossa existencia e a nos colocarmos as questoes fundamentais que gravitam em torno da aspiraçao mais universal: ser feliz. Alguma vez aquela pessoa imaginara terminar assim a sua vida? Senti-me, por momentos, e no usufruto do meu egoismo, o homem mais sortudo à face da terra. Quao melhores, talvez "bons", seriamos, de facto, se dessemos o real valor ao "taken for granted" dos nossos dias.
Muitas vezes, é a força fatal da demencia que sopra, com elegancia, os pilares ocos que nos constituem. O estado de "doença", na medida em que nos fragiliza, devolve-nos, muitas vezes, a verdadeira noçao do que é importante. Dissolve o narcissismo e a prepotencia subtil que a vida colectiva e de "copetiçao" nos imprime. Muitas vezes, sem que sequer tao pouco disso nos apercebamos. Por vezes, tarde demais. E ao olhar aquele homem, cadaver adiado que jamais voltaria a procriar, senti a minha mortalidade em todo o seu peso. Nos, médicos, temos um medo desgraçado da morte - quem nao tem? - e muitas vezes cometemos o "erro" estrondoso de conceber um acto médico isolado da carga afectiva, de "sentido", que pode significar uma mudança num rumo de vida. Ver o corpo de um doente demente putrificar-se, devorado por todas as possiveis e mais baixas co-morbilidades que se pode imaginar, é brutal. E horrivel chegar a casa e, enquanto o meu flatmate come um pessego, dizer-lhe, friamente, que uma doente morreu naquele mesmo dia depois de ter aspirado o caroço de um pessego. Adivinhem la? Sim, sofria de uma demencia e a Mae-Natureza, que felizmente nos fez mortais - aos bons e aos maus, aos corruptos e aos justos, aos egoistas e aos solidarios -, escolheu daquele modo ceifar a vida daquela mulher inocente.
Pergunto-me, por vezes, se realmente damos valor a estas coisas. Na anestesia fulminante que vivemos hoje, que tem o seu esplendor na solidao e na devassidao das conversas que gravitam nos ares de Nova Iorque e todas as grandes cidades, que tempo nos concedemos para renovar o "nosso" sentido? Ulisses, moldado por forças divinas, viajou longos anos pelos recessos do Mundo antigo à procura da sua "casa". Como bem diz Antonio Lobo Antunes, a moral da historia de Ulisses "foi ter chegado atrasado a casa".
Olhava o exterior daquele quarto triste. O vento soprava, suave, e libertava as folhas menos resistentes das arvores de Belle-Idée. Ao meu lado, aquela pessoa, que de todo desconhecia, estava ja "a caminho". E os dois adolescentes, cheios de ternura na sua expressao de perda, abraçavam-se.
Há dias fui ao dentista. Disse-me que tinha uma carie, mas que teria de escolher entre tratar isso ou fazer a limpeza dentaria que motivara a minha consulta. Pensando neste doente "demente" (e que, na realidade, podemos ser muito dementes na ausencia de demencia), com toda a frieza do Arctico, achei que aquele dentista nao tinha categoria para ser médico. E atroz que haja cada vez mais "profissionais da Medicina" e cada vez menos "profissionais na Medicina".
A coisa mais odiosa que nos pode suceder é a escolha voluntaria da "demencia" e da ignorancia de si.
Vítor Hugo
1 Nov 09
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Monday, 14 September 2009
A velhinha de Chaves
Uns olhos húmidos me abordam
senhora com os seus 80 anos
vestida de fato domingueiro azul
cabelos muito branquinhos e limpos
dentes escassos
ruguinhas no rosto e mãos
muito bonita, uma simplicidade sóbria
mas com olhos tristes
Ouço-a
bem, na realidade não a ouço
observo-a
a sua aflição comove-me mais do que tudo
aperto-lhe as mãos e lanço um sorriso
sem nunca largar os seus olhos dos meus
ela pergunta-me
«A menina conhece Chaves?»
«Não, mas meus pais vão a Trás-dos-Montes muitas vezes comprar azeite»
o rosto logo ilumina-se
alguém conhece a sua terra
«Pois, toda a gente vai a Espanha comprar azeite. Poucos são os que compram lá»
«Os meus pais sempre compraram azeite em Chaves e Mirandela. E tenho uma grande amiga de Chaves»
o rosto ilumina-se mais ainda
«Oh, ás tantas ainda a conheço. Como se chama?»
«Melissa, é professora de piano. Mas trabalha em Vila Real»
E a conversa foi por aí fora
com o rosto mais aliviado da tensão
encontrou alguém que entendia o seu viver e a sua terra
Não aguentei ver uma senhora naquela situação
alguém que podia ser minha avó
ou uma octagenária da minha aldeia
É-me revoltante
como podemos nós - sociedade e Estado - deixar as pessoas caírem nesta situação?
pessoas que já trataram dos seus pais, do marido e dos filhos, talvez emigrados agora
quem trata delas agora? (suspiro)
Perguntei-lhe o que precisava
pouco mais de nada
dei-lhe um pouco mais
desta vez é ela quem me aperta as mãos
«Por favor, venha a Chaves»
«Não creio que o possa fazer. Apenas quero que regresse a casa tranquila»
Olha-me bem dentro de mim
aperta de forma vigorosa as minhas mãos
(como se ela fosse jovem e eu uma velha)
«Se não fosse a menina que seria de mim agora?»
Regressei ao meu café com o coração transformado
estava....FELIZ!?
Mais tarde conto de forma breve o episódio a amigos
estes põem-me céptica e triste
enfim, contos do vigário praqui e pracolá
Fiquei a pensar
Seria a história desta senhora verdade?
Raios, porque lhe disse não iria a Chaves?!
Assim tiraria as dúvidas...
Depois penso
Eu é que olhei nos seus olhos
senti a força e calor das suas mãos
vi o seu rosto transformar-se quando falou da sua terra
Foi um sentir que me impediu de lhe dizer oc costume: Não!
E porque me vêm as lágrimas aos olhos agora?
Eu tenho de Acreditar nas pessoas!!
Mesmo que tal não passe de uma farsa, o que perdi?
nada, pouco mais de nada
E se fosse verdade?
Eu não poderia correr esse risco
não me perdoaria
Eu sei o quanto nos tornamos indiferentes ao sofrimento dos Outros
eu também me tornei assim
por norma nunca dou moedinhas nem esmolas
mas hoje não consegui ser assim
eu tenho de Acreditar nas pessoas
e acreditar que há pessoas boas e verdadeiras nos seus propósitos
e que há energias que se transmitem de pessoa para pessoa
Senão...
fico seca e amarga
Eu jamais quero ser assim!!
Teresa vv
senhora com os seus 80 anos
vestida de fato domingueiro azul
cabelos muito branquinhos e limpos
dentes escassos
ruguinhas no rosto e mãos
muito bonita, uma simplicidade sóbria
mas com olhos tristes
Ouço-a
bem, na realidade não a ouço
observo-a
a sua aflição comove-me mais do que tudo
aperto-lhe as mãos e lanço um sorriso
sem nunca largar os seus olhos dos meus
ela pergunta-me
«A menina conhece Chaves?»
«Não, mas meus pais vão a Trás-dos-Montes muitas vezes comprar azeite»
o rosto logo ilumina-se
alguém conhece a sua terra
«Pois, toda a gente vai a Espanha comprar azeite. Poucos são os que compram lá»
«Os meus pais sempre compraram azeite em Chaves e Mirandela. E tenho uma grande amiga de Chaves»
o rosto ilumina-se mais ainda
«Oh, ás tantas ainda a conheço. Como se chama?»
«Melissa, é professora de piano. Mas trabalha em Vila Real»
E a conversa foi por aí fora
com o rosto mais aliviado da tensão
encontrou alguém que entendia o seu viver e a sua terra
Não aguentei ver uma senhora naquela situação
alguém que podia ser minha avó
ou uma octagenária da minha aldeia
É-me revoltante
como podemos nós - sociedade e Estado - deixar as pessoas caírem nesta situação?
pessoas que já trataram dos seus pais, do marido e dos filhos, talvez emigrados agora
quem trata delas agora? (suspiro)
Perguntei-lhe o que precisava
pouco mais de nada
dei-lhe um pouco mais
desta vez é ela quem me aperta as mãos
«Por favor, venha a Chaves»
«Não creio que o possa fazer. Apenas quero que regresse a casa tranquila»
Olha-me bem dentro de mim
aperta de forma vigorosa as minhas mãos
(como se ela fosse jovem e eu uma velha)
«Se não fosse a menina que seria de mim agora?»
Regressei ao meu café com o coração transformado
estava....FELIZ!?
Mais tarde conto de forma breve o episódio a amigos
estes põem-me céptica e triste
enfim, contos do vigário praqui e pracolá
Fiquei a pensar
Seria a história desta senhora verdade?
Raios, porque lhe disse não iria a Chaves?!
Assim tiraria as dúvidas...
Depois penso
Eu é que olhei nos seus olhos
senti a força e calor das suas mãos
vi o seu rosto transformar-se quando falou da sua terra
Foi um sentir que me impediu de lhe dizer oc costume: Não!
E porque me vêm as lágrimas aos olhos agora?
Eu tenho de Acreditar nas pessoas!!
Mesmo que tal não passe de uma farsa, o que perdi?
nada, pouco mais de nada
E se fosse verdade?
Eu não poderia correr esse risco
não me perdoaria
Eu sei o quanto nos tornamos indiferentes ao sofrimento dos Outros
eu também me tornei assim
por norma nunca dou moedinhas nem esmolas
mas hoje não consegui ser assim
eu tenho de Acreditar nas pessoas
e acreditar que há pessoas boas e verdadeiras nos seus propósitos
e que há energias que se transmitem de pessoa para pessoa
Senão...
fico seca e amarga
Eu jamais quero ser assim!!
Teresa vv
Thursday, 6 August 2009
que procuro? (2)
Num dia só recebo duas notícias antagónicasTocam dois mundos que vivem em tensão dentro de mim Ser pragmática ou arriscar novamente?
Por onde vou seguir a minha respiração?
Uma propunha-me trabalho como professora de piano
(enfim, mais do mesmo...)
outra, uma mensagem da minha amiga Caroline Wilkins, compositora e performer
um misto de inglesa, francesa, australiana e alemã com uma energia contagiante
Caroline as instrument-woman in the Ukiyo (Moveable World) project. Photo retrieved from http://people.brunel.ac.uk/dap/ukiyo10.html.
Conheci Caroline durante um curto passeio entre dois pavilhões da Brunel University
encontro breve mas surpreendentemente empático
desabafei na altura toda a minha frustação acerca da forma como a música era entendida naquele meio académico
recebi uma compreensão incondicional desta senhora que perdura até hoje!
incrível tendo em conta que ela não me conhecia de lado nenhum
ouviu-me e isso bastou-lhe
ela percebeu logo onde eu queria chegar
(nós mulheres funcionamos muito por instintos, certo?)
Nunca mais nos vimos
mas vamos trocando impressões
e aos poucos ela vai insuflando-me novamente com a ânsia de voltar ao mundo académico
de embrenhar-me a fundo noutra aventura: a da descoberta de algo novo!
isto é fascinante, magnético, põe-me histérica de energia
eu quero fazer aquelas coisas também, damn it!
Mas depois vem o lado pragmático
eu sei que ainda não encontrei as respostas que preciso: O Quê? Como? Com Quem? Onde?
então vou alimentando-me por conferências, contactos, livros e experiências
e, claro, trabalhando
Tvv
encontro breve mas surpreendentemente empático
desabafei na altura toda a minha frustação acerca da forma como a música era entendida naquele meio académico
recebi uma compreensão incondicional desta senhora que perdura até hoje!
incrível tendo em conta que ela não me conhecia de lado nenhum
ouviu-me e isso bastou-lhe
ela percebeu logo onde eu queria chegar
(nós mulheres funcionamos muito por instintos, certo?)
Nunca mais nos vimos
mas vamos trocando impressões
e aos poucos ela vai insuflando-me novamente com a ânsia de voltar ao mundo académico
de embrenhar-me a fundo noutra aventura: a da descoberta de algo novo!
isto é fascinante, magnético, põe-me histérica de energia
eu quero fazer aquelas coisas também, damn it!
Mas depois vem o lado pragmático
eu sei que ainda não encontrei as respostas que preciso: O Quê? Como? Com Quem? Onde?
então vou alimentando-me por conferências, contactos, livros e experiências
e, claro, trabalhando
Tvv
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Saturday, 18 July 2009
BigBrother Rural
Passar a infância numa aldeia minhota durante os anos 80 significava habitar um Mundo povoado por mitos, ladainhas, sermões, milagres e histórias do fim do mundo
Dizia-se por exemplo
que era um perigo as raparigas irem passear para os campos de milho
tudo poderia acontecer
o "mal" e o "pecado" andavam sempre à espreita
Balelas, dizia eu
Hummm, será?!

Estava eu e a minha amiga de longa data num bucólico passeio pelas terras verdejantes do Verde Minho
tentando encontrar os locais pertencentes à nossa infância
procurando um refúgio para uma conversa mais íntima
para uma partilha de segredos e degredos da vida
quando
.....tcham, tcham, tcham......
alguém nos espreita e mede a presença

"Que estão aquelas moçoilas aqui a fazer? Quem serão? Humm..."
Após sabe-se lá que pensamentos decide aproximar-se das moças
a conversa surge e desvenda-se o mistério
"É apenas a filha do Daniel e do Doutor?!
Há tantos anos que não as via
Tava eu em casa quando vi duas damas a passar
Disse prá minha mulher, olha, vou pró campo regar o milho
Mas é melhor vires lá depressa"
(É que um hóme é sempre um hóme)
Ordem cumprida a preceito
minutos depois apareceu a mulher
(não fosse o diabo tecê-las)
e após as devidas apresentações e explicações
lá se foram os dois embora
Foi divertido, claro
Mas penso, será que não há privacidade em lado nenhum?
O BigBrother, a video-vigilância e sei lá mais o quê, já chegou aos campos de milho?
Não podemos fumar um charrito à vontade?
Não podemos perder-nos num fim do Mundo qualquer só pelo prazer de estarmos PERDIDAS e DESNORTEADAS por alguns minutos?
Ou ter uma conversa mais mais mais mais...
(imaginem o que quiserem
A perversidade está na vossa imaginação
não na minha)
Ginha no País das Maravilhas
Ps. Fotos da minha amiga Sofia
Dizia-se por exemplo
que era um perigo as raparigas irem passear para os campos de milho
tudo poderia acontecer
o "mal" e o "pecado" andavam sempre à espreita
Balelas, dizia eu
Hummm, será?!

Estava eu e a minha amiga de longa data num bucólico passeio pelas terras verdejantes do Verde Minho
tentando encontrar os locais pertencentes à nossa infância
procurando um refúgio para uma conversa mais íntima
para uma partilha de segredos e degredos da vida
quando
.....tcham, tcham, tcham......
alguém nos espreita e mede a presença

"Que estão aquelas moçoilas aqui a fazer? Quem serão? Humm..."
Após sabe-se lá que pensamentos decide aproximar-se das moças
a conversa surge e desvenda-se o mistério
"É apenas a filha do Daniel e do Doutor?!
Há tantos anos que não as via
Tava eu em casa quando vi duas damas a passar
Disse prá minha mulher, olha, vou pró campo regar o milho
Mas é melhor vires lá depressa"
(É que um hóme é sempre um hóme)
Ordem cumprida a preceito
minutos depois apareceu a mulher
(não fosse o diabo tecê-las)
e após as devidas apresentações e explicações
lá se foram os dois embora
Foi divertido, claro
Mas penso, será que não há privacidade em lado nenhum?
O BigBrother, a video-vigilância e sei lá mais o quê, já chegou aos campos de milho?
Não podemos fumar um charrito à vontade?
Não podemos perder-nos num fim do Mundo qualquer só pelo prazer de estarmos PERDIDAS e DESNORTEADAS por alguns minutos?
Ou ter uma conversa mais mais mais mais...
(imaginem o que quiserem
A perversidade está na vossa imaginação
não na minha)
Ginha no País das Maravilhas
Ps. Fotos da minha amiga Sofia
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