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Monday, 25 February 2013

A secreta vida das imagens: photo session 2

A secreta vida das imagens: 

tocava-te e reconhecia-me.afinal não existia diferença entre o meu corpo e o seu reflexo. chamaram a esta coincidência lou...

Fotos de Sofia Carvalho

Tvv

Tuesday, 18 October 2011

Vídeo "Straight from the Heart"

Vídeo vencedor do Prémio do Público do concurso "Performance Inside the Screen", integrado na 4ª Edição do Festival de Teatro "É-Aqui-In-Ócio" da Póvoa de Varzim.

Straight from the Heart from Teresa Vila Verde on Vimeo.

TVV


Saturday, 26 February 2011

Sob o signo do sofrimento

o sofrimento tem um significado

foi através dele que me transformei

sou agora mais tranquila
mais segura
mais tolerante
menos exigente
menos ambiciosa

ver quem amo a lutar pela própria vida
incapaz de poder sonhar com um futuro
toca-me muito forte
e transforma-me...

eu posso sonhar muito
eu posso concretizá-los, um dia
(já concretizei tantos, nossa!!)
neste momento, sonhar é um luxo
é uma dádiva
é demasiado até

aprendi igualmente com o sofrimento que causei aos outros
ás vezes de forma involuntária
outras por egoísmo
ao ver o quanto sofriam
tomei consciência de que não tinha esse direito
não tenho o direito que causar dor aos outros
ERREI
e tornei-me na pessoa que sou hoje
mais recatada
mais reservada
mais moderada
menos volúvel ao efémero, ao superficial, às ilusões vãs
a vida é tão preciosa e tão vulnerável...
não tenho tempo a perder com futilidades
ou com pessoas vazias de si

quanto ao sofrimento que os outros me causaram
enfim... a esse sobrevivi sempre
(e espero sobreviver sempre)
é o outro,
aquele que vejo em quem amo ou que foi causado por mim,
que realmente me transforma
e me dá paz...

Tvv


Thursday, 24 February 2011

Sob o signo da coragem

José Gil escreveu sobre "o medo de existir" dos portugueses

Sei bem a que é que ele se refere
também vivi rodeada desse medo
medo da afirmação de nós
medo do que pensarão de nós
medo do estranho
medo do diferente
senti tudo isto logo na infância
tão longínqua mas sempre aqui tão perto

na adolescência dei os primeiros passos no sentido da minha libertação
passos atabalhoados, gritos e choros convulsivos
tudo era confuso e nebuloso
mas agora, vejo claramente
tudo não passava de uma recusa desta herança
deste medo que não nos deixa existir em pleno

hoje, sendo mulher
atrevo
arrisco
tenho medo, mas vou
e vou sem saber exactamente qual o caminho
vou

o desconhecido já não me assusta
já não me inibe
não me tolhe a acção
nem o pensamento
antes, desafia-me
move-me
mexe-me
faz-me voar

Aprendi a ter coragem

e isto, graças á música...
o meu território seguro
a minha casa
o espaço onde ouso cada vez mais
onde transponho todos os meus limites
onde não me importo de ser feia, bonita, louca, beatífica, cruel, lasciva, anjo, demónio
pela música vivo em pleno
é o maior dom que recebi na vida...

Tvv

Isto a propósito de muitas coisas...
Mas, em especial, devido ao próximo workshop que realizarei, desta vez com o músico Vítor Rua, onde não faço a mínima ideia do que irei fazer. Sei que não serei cantora, nem pianista... então, vou lá fazer o quê? Que materiais vou usar??
Não sei. Mas irei fazê-lo!!
:))


Wednesday, 1 December 2010

A actualidade do discurso de António Barreto: os portugueses precisam é de bons exemplos

Recentemente fiz um trabalho sobre Ética e Educação que incidia sobre a fraude académica, ou seja, o vulgo "copianço" na hora da avaliação. Esta questão, longe de ser nova, adquiriu novos contornos nas últimas décadas com o advento da internet e com o consequente "plágio" dos trabalhos, que atingiu uma dimensão difícil de se qualificar e de se quantificar.

A minha questão é saber como podemos nós, educadores, consciencializar os nossos alunos para as boas práticas éticas, tais como a transparência, a responsabilidade, a honestidade intelectual? A quem compete esta transmissão de valores de ordem ética? A todos nós, é claro, sejamos pais ou/e educadores, sejamos líderes políticos, religiosos e/ou académicos.

Para argumentá-lo não resisti a citar António Barreto, quando diz a certa altura no seu discurso do dia de Camões, de Portugal e das comunidades portuguesas em 2009, o seguinte:

«Pela justiça e pela tolerância, os portugueses precisam mais de exemplo do que de lições morais;

Pela honestidade e contra a corrupção, os portugueses precisam de exemplo mais do que de sermões;

Pela eficácia, pela pontualidade, pelo atendimento público e pela civilidade dos costumes, os portugueses serão mais sensiveis ao exemplo do que à ameaça ou ao desprezo;

Pela liberdade e pelo respeito aos outros, os portugueses aprenderão mais com o exemplo do que com declarações solenes;

Contra a decadência moral e cívica, os portugueses terão mais a ganhar com o exemplo do que com discursos pomposos;

Pela recompensa ao mérito e a punição do favoritismo, os portugueses seguirão o exemplo do mais elevado sentido de justiça.

Mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. Exemplo dos seus maiores e dos seus melhores. Os exemplos dos seus heróis, mas também dos seus dirigentes. Dos afortunados, cujas responsabilidades deveriam ultrapassar os limites da sua fortuna. Dos sabedores, cuja primeira preocupação deveria ser a de divulgar o seu saber. Dos poderosos, que deveriam olhar mais para quem lhes deu o poder. Dos que têm mais responsabilidades, cujo "ethos" deveria ser o de servir.»

Enquanto houver em Portugal pessoas a pensar assim, sou orgulhosa de ser Portuguesa.

Precisamos é de pessoas com esta CORAGEM!!

Teresa VV

PS. Discurso integral em PDF disponível http://static.publico.clix.pt/docs/politica/antonio_barreto_10062009.pdf

Tuesday, 1 June 2010

My new video is out there!

Finalmente tenho o video do meu último trabalho, "music or performance? that is the question". Musica, video, teatro, performance, autobiografia, e sonho. Eis os ingredientes!




Gravado em Novembro 2009, em Braga.

Tvv

Saturday, 1 May 2010

Performance na Póvoa de Varzim



Música ou performance? Eis a Questão
Concerto/performance por Teresa Vila Verde

Sábado, 8 de Maio, 21.30h
Diana Bar, Praia da Póvoa de Varzim

Pode a música ser performance e o músico ser performer?
Pode a música explorar um lado marcadamente corporal, visceral e visual?
Pode a música dialogar de forma íntima com outras linguagens artísticas e tecnológicas?
Pode a música abordar questões pertinentes do “modus vivendi” actual?
Pode a música transcender a dimensão lúdico-estética e ter também um papel pedagógico e social?

Estas e outras questões estão no cerne do projecto Música ou Performance? Eis a Questão - evento performativo que questiona o que acontece quando cruzamos linguagens, disciplinas, sensibilidades e concepções tradicionalmente tidas como opostas ou incompatíveis.

Música ou Performance? Eis a Questão cruza a música, o vídeo, a performance e o teatro, e descreve alguém que em vez de se submeter passivamItalicente a caminhos convencionais vai, de questão em questão, à procura de uma linguagem expressiva que a exprima na plenitude.
É fruto directo da participação da pianista-performer no workshop Autobiology (Glasgow/2009), um programa criado pela dupla anglo-americana Curious com o objectivo de explorar o visceral, os “gut feelings”, as conexões entre o corpo e a mente, biologia e autobiografia, visando a criação de material artístico “straight from the heart”.

Para mais informações consultar a página http://www.myspace.com/teresavilaverde.

Ficha Artística
Concepção musical: Teresa Vila Verde
Direcção artística: Vítor Alves da Silva
Luz: Margarida Alves
Som: João Pedro Carvalho
Vídeo: Joana Fernandes Gomes

Preço dos Bilhetes
5 euros adultos
3 euros jovens até 25 anos/reformados
Bilhetes á venda na Associação Pró-Música/Escola de Música da Póvoa de Música e, no dia do espectáculo, no Diana Bar

Informações
Para mais informações, por favor contactar a Escola de Música da Póvoa de Varzim, tel. 252614145

Thursday, 14 January 2010

desabafo

se não fosse a internet que seria de mim?
ela põe-me em contacto com tudo aquilo que gosto e me desafia
assim estou num cantinho qualquer
mas não me sinto desligada dos acontecimentos

finalmente, começo a ter saudades da ilha (UK)
de tudo o que ali se passa a toda o momento
da diversidade, do radicalismo, da vanguarda, dos festivais mais estranhos,
das pessoas, dos artistas, dos livros
preciso desse ar
dessa liberdade
da pesquisa constante

o conforto não me chega
não consigo me acomodar a uma vida burguesa
repetir os modelos do passado
depender a minha visão do mundo daquilo que dá televisão
não consigo ver a vida por um buraquinho
por um horizonte estreito

por isso preciso de artistas radicais
de festivais alternativos
de conferências sobre temas bizarros
há algo no maldito, no radical, no visceral
que me intriga
me põe viva
me desafia

desafia o conforto da minha vida

tvv

Tuesday, 14 July 2009

Ensinar-te o QUÊ e COMO?!

Acabo de ser acordada pelo telefone
Alguém me pede num estado desesperado
para lhe ensinar a conquistar a liberdade e o prazer que encontrou no meu último video
e que sente que o perdeu algures no tempo
Ensinar-lhe o QUÊ e COMO?
Que livros? Que técnicas?
Como posso adaptar as minhas construções a outra pessoa?
Pensando nestas e noutras questões
verifico, com satisfação claro, o quanto já andei
e o quão distante estou dos formalismos e convenções associadas à música

Onde tudo começou?
Nos sons de George Crumb
ouvi-os e disse para mim própria "é isto o que eu quero tocar! Senão prefiro tocar nada"
Qual a minha primeira performance?
Troquei de casaco (!?) entre duas peças
precisava de mudar de identidade e fí-lo assim
o impacto no público foi ENORME!!!
Quais as minhas "técnicas"?
Estudo OUTRAS áreas para além de música
sejam elas performativas ou não
e interligo TUDO à música
O que leio?
Leio sobre TUDO
eu consigo cruzar TUDO com a música
consigo pensar sobre música lendo rigorosamente NADA sobre ela
tentei simplesmente responder às minhas questões
fossem elas sobre o estado do mundo actual (pósmodernismo), sobre a transcendência do ser humano (ritual, visceral, expressionismo) ou inquirindo acerca da necessidade da música nos indivíduos e sociedade actual
Quais as minhas referências performativas?
Desculpem-me a minha "anormalidade"
mas cansei-me de estudar música de uma forma tecnicista e fechada em si própria
simplesmente porque tanto conhecimento técnico, tanta análise, tanta veneração aos GRANDES mitos da música europeia
quase me fez perder o prazer que sentia antes por uma simples audição
quase assassinei aquele prazer de criança pelas coisas simples
aquele prazer de não pensar muito
e simplesmente FAZER porque sim
pelo prazer em si mesmo
Além disso sentía-me separada do Mundo
habitava uma torre de marfim acessível só aos entendedores da "grande música"
em vez de privilegiada sentí-me num gueto elitista?!
Então, decidi partir
fui à procura de contactos, empatias, contaminações, saberes
à procura de uma forma de expressão que fosse capaz de me exprimir com naturalidade
em ligação com o mundo que me rodeia, atento às suas interrogações e inquietações
Daí que as minhas referências venham essencialmente da dança, do teatro e da performance
aqui encontrei uma liberdade, uma ousadia e um contexto para experimentar novas formas de fruição estética
encontrei o arrepio, a compreensão, a loucura, o prazer, a facilidade e a naturalidade de mim

Segui o caminho de alguém que não se acomodou ao pré-estabelecido
de alguém que procurou a sua expressão singular
independentemente do que é suposto "ser-se"
e tenho esta ânsia de partilhar as minhas conquistas com o Outro
de propor uma nova forma de se pensar e fazer música
Por isso vou a conferências, escrevo, publico as minhas ideias sempre que posso
dou a cara: falo, toco, canto...

Se inspiro alguém a querer mudar o seu rumo
ou a pensar de uma forma diferente a música ou a Vida
é simplesmente MARAVILHOSO!!

Teresa

Tuesday, 28 April 2009

Lá para o fim, apresento-vos Stelarc

Hoje quero escrever algo
Ainda não sei bem o quê
Algo vindo do nada
Sem razão aparente
E não me apetece ser correcta com a pontuação do texto
Estou numa irreverência juvenil

A foto nada tem haver com o meu pensamento
Apetece-me simplesmente partilhar imagens
Imagens que ando a recolher sobre Live Art
Imagens que gosto
Esta é de uma coreografia da Pina Bausch
Pungente e lírica
Cores fortes e apaixonadas
Foto acústica

Agora algo que não tem nada a ver
O meu percurso auditivo

  • Em criança quando me pediam para cantar cantarolava "Sobe, sobe balão sobe" da Manuela Bravo acabadinha de ganhar o festival da canção

  • Logo a seguir comecei a cantar em inglês com os ABBA. Conheci todo o seu repertório e chorei quando eles terminaram

  • Depois a pirosada dos anos 80. Ouvia a música pop do momento. Consumia e deitava fora. Nada ficou dentro de mim. Excepto o "Não há estrelas no céu" do Rui Veloso que me acompanhou Verões sem fim na praia deserta da Apúlia

  • Com os 17 ou 18 anos descubro os decibéis do rock dos anos loucos (60/70s) através dos Led Zeppelin. Nada de Stones, ou Beatles ou Pink Floyd. Apenas Led Zeppelin, não sei porquê...

  • Anos mais tarde, já na faculdade e com 19 anos, reconciliei-me com o Piano (o meu segredo de adolescente!) e ouço obsessivamente a Antena 2. Ganhei uma base sólida do repertório clássico que me tem acompanhado até hoje. Enquanto estudava reacções metabólicas, mecanismos de regulação enzimática e técnicas de manipulação genética, ouvia sinfonias, trios de câmara, música barroca, ópera, canção francesa e todo o repertório para piano (claro)

  • Já na ESMAE ouço mais do Canon da música erudita Europeia; interesso-me pela tradição mais recente da música e descubro Ligeti, Crumb, Stokhausen e... o Jazz!! Um jazz bem docinho - o contraponto necessário a tanta vanguarda de sons

  • E, como não tenho mais paciência, salto para os anos mais recentes onde perdi todas as inibições auditivas que ainda restavam e ouço sonoridades electrónicas, o exotismo das músicas do Mundo, o free jazz, as fusões da música erudita com a popular (tipo Fredric Rzewski), o universo peculiar do Tom Waits (que me acompanhou em toda a jornada inglesa), a voz hipnótica de Laurie Anderson, o experimentalismo dos sons da vanguarda, o regresso ao universo pop, o flamenco, o fado...ouço TUDO, TUDO!
Isto para dizer o quê?
Que vou renovando os sons que me rodeiam
Cada um deles me traz memórias de sabores, experiências, certezas e ingenuidades
Eu gosto de cada um desses momentos mas preciso de me renovar CONSTANTEMENTE
Preciso de procurar o som que me define nesse momento
Aquele que me explica e me compreende
A minha relação mais séria da vida estão nestes sons
Sempre em des-sintonia uns com os outros

Ser-me-ia impossível viver agarrada de forma dogmática ou cega a um som apenas
A renovação, a procura constante de algo novo, é o que me sustenta o ânimo e alegria de viver
Por isso, é-me incompreensível ver o quanto as pessoas se agarram ao passado, sem nunca o largarem
Parece que têm medo de trair os seus sonhos da sua juventude
E lá vão ouvindo sempre, sempre, sempre, e mais uma vez, as mesmas melodias e sonoridades
Obviamente não há nada de mal nisto
Apenas é um sinal do quanto as pessoas se sentem inseguras do presente e têm medo de arriscar
E isso é o que EU não quero

(Como vêm
Eu uso SEMPRE a música para me compreender e aos Outros)

Comecei com uma foto acústica
Termino com uma foto fortemente ruidosa
Apresento-vos Stelarc, o "live artist" australiano que conheci na Brunel, cujo trabalho se centra na convicção de que o corpo humano é "obsoleto"



Para ele, o corpo já deu o que tinha a dar
As suas capacidades já foram exploradas ao limite em todas as áreas: físicas, cognitivas, psicológicas e sociais
Além disso, o corpo não é perfeito nem eficiente
Cansa-se rapidamente, apanha doenças, tem limites de sobrevivência muito apertados
Resta ampliá-lo ou dotá-lo de novas capacidades através de prostéticos quer tecnológicos, virtuais ou biológicos

Aqui, ele apresenta o seu terceiro braço
Na Brunel, apresentou o seu ouvido-extra que "construiu" biologicamente no seu braço esquerdo
Ele redesenha o seu corpo e cria um ser híbrido
Explora a interface humano-tecnológica de forma REAL
Porque o corpo é "obsoleto"

Sei que parece estranho tudo isto
Também o foi para mim, mas já não o é
Ele fez-me pensar nos limites do corpo humano
E eu gosto de ser desafiada
Obviamente não estou com vontade de testar "prostetesias" (inventei esta palavra agora) deste tipo em mim
Continuo a ser alguém fundamentalmente acústico

Teresa vv

PS1. Raios, eu que queria escrever algo curtinho...

PS2: Para saber mais sobre Stelarc: http://www.stelarc.va.com.au/
E um video que encontrei do Stelarc com o seu terceiro braço, num video dos Queen.


Sunday, 5 April 2009

Comédias do Minho, conhecem?

Pois, eu também não conhecia. Mas pelos vistos esta companhia profissional de teatro já existe há alguns anos e resulta de um esforço conjunto de cinco autarquias do Alto Minho para criarem uma companhia próxima das suas terras e tradições. Um teatro para as pessoas que nunca foram ao Teatro. Esta companhia apresentou este fim de semana um programa ousado e fisicamente muito exigente, tanto para actores/produtores como para o público. Incluiu cinco apresentações, cada uma com duração aproximada de duas horas (acreditem, o tempo passou a voar...), em locais recônditos do Alto Minho que se tornaram em espaços de excelência dramática: uma mercearia e ermida na freguesia de Lara/Monção, uma casa rural na freguesia de Parada do Monte/Melgaço e outra casa antiga na freguesia do Bico/Paredes de Coura. (Houve mais, mas eu não assisti a tudo, infelizmente.) Terras todas elas aqui tão perto e simultâneamente tão distantes de nós.

Fui um pouco por acaso. Sem saber exactamente ao que ia, pois não gosto de saber tudo em antecipação, deixei-me levar pelos amigos e fui para terras nortenhas. Dou por mim a reviver memórias cheiros, sabores, pessoas, paisagens, lendas e histórias de tempos antigos que, afinal de contas, também fazem parte de mim. Apesar de não ter pensado muito sobre isto, confesso que temia ver algo brejeiro e/ou paternalista sobre os hábitos, cultura, saberes e estilos de vida minhotos, muitas vezes tão rudes e cruéis para pessoas fora deste contexto geográfico. Verifiquei surpreendida (e agradecida!) que me enganei. Através dos pequenos momentos performativos vi que os encenadores/actores souberam deixar para trás o seu olhar enviesado de quem é "gente da cidade, cosmopolita e civilizada" para olharam de frente nos olhos daquelas pessoas, tão cheios de sonhos e de expectativas como os de qualquer um de nós. As suas histórias e memórias tornaram-se numa valiosa matéria-prima para a criação de momentos de magia, de comicidade, de poesia física e metafísica, com que brindaram todos os sentidos dos espectadores (por vezes actores também).


Ouvi histórias simultaneamente arrebatadoras e cruéis como a de Clotilde que envelhece sozinha junto à maquina de costura, rodeada de lágrimas e suspiros resignados, esperando em vão pelo regresso do seu marido emigrante; ou a história pungente de um touro perdido, apavorado e humilhado pelo destino;

Recordei o cheiro das casas antigas, aquecidas pelo bafo dos animais no rés-do-chão, com mobiliário simples mas sempre ornadas com rendas e panos de linho, para dar um toque de beleza cuidada;

Degustei o sabor honesto de um sopa feita com a couve mais 'grosseira' que há, a couve galega;

Relembro o regresso dos "francius" durante o Verão, sempre com os seus histerismos e falas mestiçadas;

Ouvi Roberto Leal, o grande animador dos bailes em honra da Nossa Senhora disto e daquilo;

Enterneço com a solidão resignada e beleza calma da Sr.ª Esmeralda, cujos os sonhos de criança ainda hoje persistem aos 80 anos;

Ouço os pregões, as premonições sombrias do Sr. Padre;

Ginastico o corpo através da mestria de quem sabe, ou seja, do sr. Hipólito (?), cujo sustento da famila depende do seu vigor;

Ouço o som rouco da caneta no papel rude e as palavras sussurradas de alguém sôfrego de notícias de um ente querido;

Inundo os meus ouvidos com os sons do grupo coral e das concertinas, onde o sagrado e profano se misturam num convívio tão íntimo quanto exemplar;

Revejo o a velha mercearia da aldeia onde, tal como de confessionário se tratasse, as pessoas contam as suas histórias de (des)amor e onde se vejo produtos que não existem nos supermercados;

Mais o velho aldeão que tenta apaziguar os corações dos doentes de amor...

E muito mais...

Tudo isto eu também vivi. E sinto-me enternecida por me trazerem, de forma tão sensível e sensitiva, um tempo que já passou: a minha infância. Um tempo igualmente recheado de lendas, mitos, sonhos e de quatro estações bem distintas. Claro que tudo isto ainda está presente na pessoa que sou hoje. Viver é recriar, transformar e contaminar o passado com as novidades do presente. Apesar de muito ter mudado no espaço de uma geração, eu persisto, tal como estes encenadores e actores, em construir uma ponte de afecto, de compreensão, de carinho entre as formas de viver do passado e do presente. Porque o futuro faz-se assim.


Tvv

Mais informações sobre esta companhia de teatro pesquisar o blog http://www.comediasdominho.blogspot.com/

Wednesday, 25 March 2009

Sobre o Twitter e outras ciber-necessidades

Eis um link para perceber isto do Twitter, algo que para mim é uma novidade.

http://tvig.ig.com.br/88865/twitter-e-privacidade.htm

Com algum espanto verifico que já existe um canal Twitter Portugal! (Nestas coisas cibernéticas ninguém perde tempo...) Se entendi bem, as pessoas respondem a uma simples pergunta: o que estás a fazer neste momento? As respostas vão para o canal Twitter da net e todos passamos a saber da vida particular de todos. Isto já acontecia no Facebook/Hi5, mas agora é ao nível do planeta e não dos nossos "amigos". Visito agora a página nacional do Twitter. As frases são desconexas e tudo junto mais parecem aqueles poemas Dadas/Surrealistas onde cada pessoa escreve um verso a partir de uma palavra deixada por outra pessoa e assim sucessivamente. Depois lê-se tudo como se se tratasse de um poema. Sabem a que me refiro, espero? Caso contrário, visitem o café Pinguim (Porto) uma terça à noite (penso eu) e tornem-se poetas por um dia.


Voltando ao Twitter. É mais uma ferramenta que propicia um esbatimento entre as fronteiras do privado e público, muito em voga actualmente. Pergunto-me sobre as vantagens, motivações e consequências desta nova forma de expressão ciber-pessoal. Talvez valha a pena ver o vídeo supra citado para ouvir a opinião da artista brasileira Martha Gabriel sobre isto. Ela não só dá exemplos da sua aplicabilidade como alerta para alguns dos seus perigos. Por exemplo, ela adverte para alguns riscos que corremos sempre que abrimos a nossa caixa de correio e esquecemos de fazer "log out". Outros podem ter acesso à nossa informação privada sem nos apercebermos. Isto é, como diz a minha amiga Pat , um "big brother cibernético".

Isto faz-me pensar sobre as nossas necessidade cibernéticas. Porque precisamos do Hi5, Facebook, Messenger, MySpace, Flick e outros? Claro que podemos viver perfeitamente sem estes canais, mas depois de os experimentarmos já não sabemos viver sem eles. É mais uma necessidade que se criamos, desta vez contribuíndo que o nosso real se (con)funda com o virtual de forma cada vez mais homogénea e menos peceptível. Rapidamente passamos da ausência à omnipresença, fixamos efemeridades, deixamos um rasto num mundo do etéreo e partilhamos algo nosso com alguém imaginário (e, logicamente, idealizado!). Parecem-me ser meios de ultrapassar muitas limitações inerentes ao ser humano, sejam elas geográficas, temporais, profissionais ou mesmo sociais.

Eu gosto do aspecto da partilha. Claro que há sempre a hipótese de ninguém nos ler, visitar ou intervir, mas isso pouco me importa. Começo a ter o prazer de simplesmente me exprimir ciberneticamente para meu prazer. Afinal escrevo diários desde a adolescência. Ainda guardo muito para esses livros; aqui os registos são outros. Revelo, mas guardo muito mais. Porque o mistério é fundamental na nossa vida. Mas preciso da net para deixar de me sentir num buraquinho. Assim posso viver num qualquer "fim do mundo" pois faço"parte do mundo". Só não quero é que estas ciber-necessidades me dominem ou se tornem em obrigações. Por isso gosto mesmo de me afastar durante uns dias por semana do computador. Para recuperar o velho tempo vagaroso e elástico que é essencial para me ouvir.

TVV

Thursday, 19 March 2009

À procura de "espaços vazios"

Confesso que a minha prioridade não tem sido a performance, no seu lado mais prático ou criativo. Simplesmente porque cheguei a Portugal em Outubro passado e dei por mim desempregada. Após um ano em que vivi às custas das minhas poupanças, tinha de arranjar trabalho! Isto de estudar e não trabalhar é um privilégio dos portugueses. Em Londres, ninguém se pode dar ao luxo de o fazer com propinas a chegar aos 12-15 mil euros! Felizmente, por ser de um país membro da UE, paguei apenas um terço deste valor. Portanto, isto de trabalhar em part-time é algo muito sério e digno. Aqui em Portugal pensamos que só os pobrezinhos é que o fazem. Seremos assim tão ricos?

Por ter trabalhado durante uns bons anos pude ser uma pessoa privilegiada e apenas estudei. Agarrei esta oportunidade e devorei livros e livros. Encontrei uma biblioteca que me extasiou: finalmente podia ler sobre quase tudo! Li livros, ensaios e revistas científicas sobre tudo e mais alguma coisa. É que os meus interesses são muito mais do que música. Pegando nas palavras de Abel Salazar e contextualizando-o para a música, acho que "um músico que só sabe de música, nem de música sabe". Palavras bem sábias! É preciso sair do nosso buraquinho e procurar empatias ou linhas de pensamento mais abrangentes. Ler sobre outras matérias abrem-nos a percepção para novos horizontes. E mais facilmente deixámos de ser meros imitadores dos Outros e passámos a ser autores de algo nosso. É por isso que é importante ler!

Voltando à minha confissão inicial, a minha prioridade tem sido trabalhar e é isso que tenho feito. Trabalho para os outros, não para mim. Vivo uma pausa de mim, digamos assim. Mas a minha sanidade mental e psicológica pede-me contextos onde possa reflectir sobre a minha prática e confrontá-la com outras pessoas. Daí procurar conferências, por exemplo. São tão importantes quanto um "concerto". A sua preparação é igualmente exigente e morosa. Neste momento preciso de criar um "evento" e respectivo texto a contextualizá-lo. Mas quando começarei a prepará-los? Preciso de espaços vazios na minha vida: espaços para ler, escrever ou simplesmente para explorar um território novo. Felizmente a tendência será para melhorar. As férias vêm já aí, ufa!

TVV

Tuesday, 17 March 2009

O Portugal de Ontem e de Hoje

Há dias ouvi o meu pai dizer uma frase que é recorrente nele e que me fez pensar sobre Portugal, o de Ontem e o de Hoje. «A tua opinião não conta para nada», disse ele. As circunstâncias deste comentário são irrelevantes. O importante é fiquei a pensar... Como é ele capaz de negar a sua força como ser humano? Como pode negar a sua voz? Será que nós não contámos realmente para nada? Somos seres assim tão passivos e submissos na nossa vivência? Como é possível alguém aceitar que não conta para nada neste mundo?

Só consigo entender esta expressão como um legado dos 50 anos de ditadura aos dias de hoje. Nessa altura cultivava-se o que eu chamo o"Portugal dos pequeninos": as pessoas tinham de ser felizes com a sua pobreza e ignorância; viver só era possível dentro de parâmetros muito estreitos; e era preciso obedecer, sempre e sem pestanejar, à autoridade, fosse ela de que natureza fosse. Qualquer atitude de empreendedorismo, de criação, de ousadia, de risco, de crítica salutar era impensável neste quadro ideológico-sócio-económico.

Felizmente sou filha da revolução e não me revejo neste Portugal. Quero um país arejado, inovador, capaz de arriscar e de se mostrar ao Mundo sem complexos. Por isso me interessam as vanguardas, em todas as suas dimensões. O nosso espaço de intervenção já não se limita à nossa rua. A nossa acção pode chegar a toda a parte. O que conta é encontrarmos empatias, estejam elas onde estiverem. O que conta é vermos uma consequência da nossa acção ou pensamento, por mais mínima que seja. O que conta é que nós contamos!

Muito devemos a Maio de 68. Os seus slogans, muitas vezes radicais e excessivos, foram fundamentais para resgatar o indivíduo de um viver medíocre e acomodado. Quarenta (e um) anos depois, temos o direito de ser nós próprios e de contribuir para o mundo com a nossa diferença. Esta mudança de paradigma (que Touraine diz ser individual e cultural) apela-nos à responsabilidade. Agora temos de responder na primeira pessoa pelas consequências das nossas acções e pensamentos. E é exactamente este sentido de responsabilidade que a geração do meu pai não se habituou. Sempre tiveram alguém a moldar-lhes o agir, pensar e viver. Às vezes pelo Salazar, outras pela figura paternal, outras clerical, outras civil (polícia), etc.

Hoje podemo-nos afirmar com mais facilidade, é verdade, mas também ficamos sujeitos aos seus efeitos "laterais". Por isso, há que ter coragem para viver, para nos afirmarmos de viva voz, para arriscar apesar dos riscos, para perder o medo de errar, e para nos lançarmos sempre para a frente. Porque o futuro é aí. E eu quero pertencer ao Portugal de amanhã.

E sim, nós contamos, meu pai.

TVV

Thursday, 12 March 2009

Música ou Performance? Eis a questão

Que entendo eu de blogs? Nada ou muito pouco. Espaço para fixar pensamentos, partilhar emoções e experiências com um Outro, mas qual o interesse destas histórias senão para mim? Vou esquecer isto e escrever. Apenas escrever. Talvez assim descubra o sentido deste blog.

Após uma semana em Glasgow, onde o Eu teve o privilégio supremo, é-me difícil pensar numa proposta de investigação que não passe por mim. Não é narcisismo; é não me rever nos dogmas de uma musicologia que venera o objecto (a partitura) em vez do evento; que vê o músico como "tradutor" de partituras e não como um ser criativo (estatuto esse reservado ao compositor); e que vive nostalgicamente "à procura do tempo perdido", situado algures entre os séculos XVIII e XX.

Eu preciso de futuro; preciso de um mundo académico mais aberto à contemporaneidade, à miscigenação de géneros artísticos, às tecnologias e às novas metodologias; aberto ao não convencional, ao subjectivo e ao contingente. Porque o mundo real é assim mesmo. Tratar a música como se fosse algo controlável e gerador de leis universais, é negar a sua essência. O seu elemento vital. Tal como as outras artes, ela vive da energia e expressividade de um momento, do imprevisto, da efemeridade e do arrepio. Isto não se mede, sente-se.

Por não me rever na orientação clássica da investigação musicológica quero mudar de departamento. Aos poucos vou-me aproximando da "performance" - conceito novo para mim, mas que me soa a esperança. Baseia-se em teorias filosóficas e estéticas completamente distintas, que me parecem em melhor consonância com o mundo pós-moderno que vivemos. Tenho uma enorme curiosidade em saber mais sobre esta manifestação expressiva que começou há exactamente 100 anos (segundo RoseLee Goldberg* a Performance começa com a publicação do primeiro manifesto futurista de F. T. Marinetti no jornal francês Le Figaro em 20/02/1909). Quero estudar performance para investigar música. Veremos o que farei com disto.

TVV
* Goldberg, R. (2001). Performance Art: From Futurism to the Present. London: Thames and Hudson.