Sunday, 8 March 2009

This is not art - Australia




CALLS FOR PROPOSALS NOW OPEN:

Closing 31st March 2009
If you work, think, play or study in creative, intellectual or artistic practices then…
We want you!
Join us for the 2009 grand interpretation of This Is Not Art: Australia’s largest and most diverse media and arts festival.
This Is Not Art has been growing and developing over the past twelve years to become a national showcase and skills share for Australia’s most creative and niche movers and shakers.
This year it’s your turn!
To be a part of the This Is Not Art 2009 Festival Program, you will need to go to our website at: www.thisisnotart.org and download and submit an application form. Alternatively you can send an email to: admin[at]thisisnotart.org and request an application form , or phone (02) 4927 0675.

We are always open to new suggestions and ideas for events or other inclusions into the festival program. While not every proposal can be guaranteed a place in the festival, we try to be as inclusive as possible, so please send us your proposals… We’d love to have you along for the ride!
Please ensure we receive your application by 31st March 2009. Email and postal details are found on the application forms.

xx This Is Not Art
Office: 3 / 231 King Street, Newcastle, 2300
Phone: (02) 4927 0675
Fax: +61 2 4927 1475
Email: amin[at]thisisnotart.org

independent, emerging & experimental annual arts & media festival

01 – 05 October 2009
Newcastle, Australia

www.thisisnotart.org

Wednesday, 4 March 2009

Autobiology 2



Recém regressada de Glasgow, onde participei no workshop "Autobiology" (detalhes no post Autobiology 1), sinto-me em estado de choque. E agora? Um workshop é respirar mais fundo dentro de nós mesmos; é um período para experimentar algo novo; é descobrirmos novas potencialidades para o futuro. O ambiente de salutar criticismo e a variedade incrível de projectos aí apresentados, abrem as portas da minha percepção para o que é "Performance. Mais do que apenas música, teatro ou dança, é humor, drama, imagem, palavra, histórias, ou apenas um sentir. É um momento de transformação de nós, é construir uma relação forte com o outro, é tocar o inefável, é sentir uma energia simultaneamente poderosíssima e fragilíssima. É viver um momento certo na vida!

Neste workshop fiz duas "NO performances". A minha primeira manifestação de um "gut feeling" andou à volta da palavra No - palavra que todos têm medo de dizer, em especial nos olhos do Outro; palavra que tantas vezes tenho de dizer na minha vida... Construí um momento cheio de drama, de olhar forte, de respiração, de cabelos desalinhados e alinhados. A segunda, proposta da Helen Paris, foi ser apenas Eu. Apresentar-me como pessoa real, sem representação metafórica de nada, apenas a nudez de mim. Improvisei ao piano enquanto respondia às questões das pessoas. Desta vez, sem subterfúgios, máscaras ou metáforas de qualquer espécie. Apenas Eu. De olhos nos olhos. Tive medo, confesso. Não envolvia qualquer preparação, nada, nada. Teria de aceitar o que quer que acontecesse, sem tentar controlar o momento. Isto foi aterrador! Mas Gemma disse-me as palavras mágicas: Everything is going to be fine, Teresa! E acalmei. Pensei no John Cage e na sua "não intencionalidade", no espírito Zen (aceitar o que acontece como o melhor que pode acontecer nesse instante) e arrisquei. Foi um momento maravilhoso! Consegui criar empatia com as pessoas e venci um novo desafio. Nunca fiz nada assim na minha vida. Tudo é sempre calculado, estudado. Aqui, foi o inverso e resultou! Esta faceta do "real me" é-me inteiramente nova. Ainda não sei como me transformará mas sei que dei aqui um passo importante .

Esta viagem à Escócia também ficou marcada pelas pessoas que conheci nomeadamente o coreógrafo Paulo Ribeiro que é uma pessoa muito generosa e autêntica. Ele é uma inspiração para mim pois soube transformar as suas dificuldades em mais-valias. São as nossas idiossincrasias e diferenças que tornam este mundo num espaço - tempo fascinante para se viver. Outra pessoa inspiradora foi a minha "room-mate", uma escritora australiana de 70 anos que está em Glasgow a investigar para o seu novo livro. Tem o nome da minha mãe, Isabelle. Que mulher! Acho que me vi daqui a quatro décadas assim: a viajar pelo mundo, sozinha ou acompanhada, mas sempre em processo criativo e ousando viver os seus sonhos. Nunca encontrei ninguém com tantos sonhos, mistérios e instintos. Isabelle vai atrás deles sem esperar pelo dia de amanhã. Ela vive o hoje. Ainda procura aquele que viu no seu sonho: «Será ele o homem dos meus sonhos?». Quem diz isto aos 70 anos?

Agora, de regresso a casa, encontro emails que me põe triste. Ainda não consegui reagir ao embate. Preciso de respirar e descansar. Vou fazer Yoga...

Teresa

Friday, 20 February 2009

PERFORMA'09

I just been informed that my proposal to present a lecture-recital at the forthcoming conference on Performance Studies PERFORMA'09, hosted by the Department of Communication and Art of the University of Aveiro (Portugal, 14-16 May 2009) was accepted. I am glad, of course. It will be a great challenge for me. Here is a copy of the submitted abstract.
For further information, pleaase check http://performa.web.ua.pt/.


ABSTRACT
Musician or Performer? That is the question.
When some years ago Nicholas Cook (2001)[1] challenged us to think about music as performance he launched a new paradigm to understand musical performance. Indeed, a musical performance is more than the reproduction of scores; it performs meaningful events in a specific social context. This subtle change of emphasis, from the ‘text’ to the ‘event’, not only opened new paths to comprehend what a musical performance is and what the performers’ role is inside of it, but also posited music closer to other performance arts such as live art, body art, contemporary dance and theatre. Acknowledging this, I intend to get inside Performance Studies to understand what a performance is and in which ways music-making can be a performance. By promoting cross-fertilization between a diversity of arts and theories I expect to draw an alternative way to think, make, and engage with music; a way that comes in line with the more contemporary artistic scene and theory. Eventually, this reflection can contribute to integrate music in the current debate inside Performance Studies, which is still very residual. Hence, my presentation starts with a short performance where I explore the body and theatricality to create a musical event. It involves live lighting, improvised (or choreographed) music, as well as excerpts of George Crumb’s A Little Midnight Music. This work, composed in 2001, is rumination on ‘Round Midnight by Thelonious Monk. Then I present the paper.


[1] Cook, N. (2001). Between Process and Product: Music and/as Performance. Music Theory Online, 7(2).

Thursday, 12 February 2009

(More than) A musical performance



This is the first video of a series of five that aim to show details of my "performances with music". This one highlights few moments of a larger event that took place at the Brunel University (West London) in May 2008 where I intended to explore everything around music, i.e., improvisation, body's presence, voice, viscerality, theatricality, live lighting, mixture of electronic and acoustic sounds, etc.


What have been said about this event: «'More Than' was a bold and adventurous programme which used live lighting, theatrical actions and a dramatic use of spac to communicate music. Organising this level of collaborative process was admirable and some of the visual situations which were created - warming hands on the red light of the 'burning' inside piano or the wind player under what seems like a street light - were highly communicative and showed real imagination. You played with drama and passion again.» Sarah Nicolls and Richard Barrett (Brunel University)


Thursday, 5 February 2009

Autobiology 1

I'm getting excited about my forthcoming participation at the "Autobiology" winter school, which is a workshop for artists seeking a period of professional development and research that explores the connections between the body and the mind, biology and autobiography, and aims to generate autobiographical material "straight from the heart". It will be led by Curious (UK) as part of the New Territories 09 – International Festival of Live Art, Scotland (Glasgow, February 2009). Website: http://www.placelessness.com/ and http://www.newmoves.co.uk/.

Thursday, 25 September 2008

(Última) Crónica inglesa 13: 'Round Midnight


Na passada segunda-feira (22/09) apresentei o meu projecto final de Mestrado onde andei à volta de um tema de jazz ('Round Midnight de Thelonious Monk): improvisei, cantei, dancei e, claro, toquei piano. Como sempre, esqueço-me daquilo que faço, ficando apenas na memória alguns detalhes e sensações que vivi no momento. Eu preciso dos outros para reavivar a minha percepção. Fiquei espantada com o feedback do outro lado, em especial com as palavras da Sarah Nicolls, a minha supervisora. Aquilo que eu pensei ter sido o meu pior momento, por ter sido o menos preparado, estruturado, onde senti medo por não saber o que fazer a seguir, enfim..., afinal foi o melhor. Credo! O júri encontrou aí autenticidade, fragilidade, vulnerabilidade e humanismo. Avaliaram tudo por prisma bem diferente do meu. Fiquei atónita!!! Isto está a fazer-me parar para reequacionar tudo…

Eu ando a pensar TUDO ao contrário e isto deve-se a muitos factores.
Primeiro, ao facto de ser europeia, de pertencer a um país católico, com uma longa história, que me prende inevitavelmente a certas convenções, preconceitos e medos.
Segundo, à minha educação pré-universitária numa aldeia do Norte, onde um forte catolicismo me moldou de forma indelével em muitos aspectos (nem todos maus!), onde "boa educação" significava ter um controlo total sobre nós próprios e onde mostrar os nossos verdadeiros sentimentos aos Outros, pelo menos de forma visível e frontal, era considerado como fraqueza.
E terceiro, o facto de viver num mundo que hipervaloriza o lógico, o estruturado, o premeditado, o asséptico, em detrimento de outras dimensões humanas.
Afinal, foi exactamente por não ter sido assim tão controlada e premeditada que me valorizaram (Thank God!). Aquilo que eu pensei ser a minha maior fraqueza foi afinal o meu maior trunfo: a vulnerabilidade.
Continuo espantada! E contente porque vejo que afinal os meus instintos estavam certos. A minha parte racional é que me impediu ir mais longe e de atingir o transe que consegui nalguns ensaios – o transe que vi no rosto da Marina Abramovich.
Marina Abramovich nasceu no ex-país da Jugoslávia, é "performer artist" e é a minha descoberta mais recente. Fiquei impressionada com uma foto sua onde os seus olhos estão imersos em lágrimas enquanto o seu corpo é passivamente usado por outras pessoas: tiram-lhe as roupas, escrevem palavras na sua pele, põe uma pistola carregada na sua mão apontada para a sua cabeça (isto aconteceu nos loucos anos 70!).
Bem, o que mais me impressionou foi ver o histerismo das pessoas a fazer isto e o facto de elas não verem no rosto de Marina uma dor resignada. Não sei explicar… Esta entrega passiva à mercê da agressividade dos outros, a sua vulnerabilidade, o seu estado semi-inconsciente, tudo isto me impressionou. É exactamente essa entrega, essa vulnerabilidade e essa humanidade que quero.
Porque nós não somos cartesianos mas freudianos. TODOS nós somos seres complexos. E, em vez de me aterrar esta ideia, ela interessa-me profundamente. É por isto que os seres humanos me fascinam e me comovem todos os dias. Os seus traumas do passado, que se revelam por pequenos gestos, muitas vezes por uma agressividade verbal, por um pessimismo constante, por um olhar frio e por um corpo passivo, devorado ou devorador. A tudo isto estou atenta.
Pina Bausch resume tudo isto com esta frase: "I don't care how people move but what moves them". Eu também penso assim .

Voltando ao meu projecto final, esta performance tornou-me ainda mais confiante no meu trabalho. Verifiquei que posso e devo ir mais longe na minha entrega emocional. A Sarah encorajou-me muito a prosseguir estas performances: performances com música, mas improvisada. É um grande desafio para mim. Continuo a afastar-me cada vez mais do perfil normal de músico e a entrar mais na "live art", que me atrai pelos seus "não-limites".
Aqui posso explorar tudo e fazer "personal statements", o que é uma grande responsabilidade.
Não sei…preciso de tempo. E como compatibilizar isso com contas para pagar? Eis uma grande questão.
Só vejo uma solução: ter um "brain-less job". Algo que não implique muito esforço criativo da minha parte afim de poder canalizá-lo para outra esfera. Enfim, grandes questões me esperam neste regresso a Portugal. Período de reorganização interna e externa.

E regresso ao Porto. Ao conforto da minha casa. Hoje decidi ser turista na minha cidade. Pus sandálias, auscultadores, mochila e caminhei pelas suas ruas. Guardo a imagem de um casal de idosos a chegar de táxi ao Hospital S. António. Comoveu-me. Ela toda vestida de negro e o Sr. tinha uma fragilidade tão digna que me comoveu. Ele, cujo rosto vi com mais clareza, era lindo! Não no sentido monocromático que vejo nas revistas, mas lindo na sua humanidade, numa vida cheia espraiada no seu rosto cheio de ruguinhas, no seu fato domingueiro, muito limpo, de corte e vinca impecável. Ele sentiu o meu olhar; sorri e continuei o meu caminho.
Senti-me reconfortada com esta Portugalidade. Apesar de trabalhar e viver no contemporâneo não me choca nada o passado ou as nossas tradições. Elas dão um sentido de pertença que preciso. São as raízes que permitem gerar folhas e frutos.
E depois choro quando vejo as águas do Douro. Choro por tudo...
É um regresso que me soa a choque e a beleza. Esta luz outonal, este calor ameno, este verde do Palácio, este pulsar calmo tira-me de qualquer racionalidade. Fico parada. E vêm-me as grandes questões: Como estou? E agora? O que vai ser de mim? Por onde prosseguir? Como estás, Teresa?

Teresa

Thursday, 7 August 2008

Crónica inglesa 12: Festival Dínamo

Que dizer? Sinto falta de uma ligação a algo mais...por isso escrevo.

O melhor dos dias são as noites... já não sabia o que era estar sentada num jardim nas primeiras horas da madrugada, com o corpo cansado e com uma satisfação interior de dever cumprido. Fico horas assim, sentada neste banco de jardim. A sentir a temperatura amena na pele, a ouvir o silêncio, e a "ouvir-me". Pergunto-me: como estás Teresa?

Estou parada, calma e nostálgica. Porque se aproxima a hora de me despedir deste banco, deste riacho, destas árvores e desta relva verde, sempre verde. Porque aprendi muito e fiz o que gosto ao longo deste ano. Sim, tive lágrimas, mas o saldo é francamente positivo.

Penso em Portugal, onde pessoas pagam do seu bolso para organizarem festivais fora do espírito massificador/consumista e lutam por um respeito elementar à diferença. Estes têm de ser os nossos heróis! Por isso transcrevo a minha resposta ao organizador do festival Dínamo (festival de músicas exploratórias) que decorreu na terra sacrossanta de Barcelos!! Eu não consigo imaginar algo de alternativo/experimental a contecer na minha terra-berço, sempre tão avessa a ambições de qualquer ordem. Às vezes aparecem oásis como este...

«Olá Luis Jacinto, obrigada pelas informações. Acabo de ver o site "esquilo" e é bom ver que há muita coisa para eu ouvir, conhecer e aprender. Fiquei curiosa. E surpreendida. Sim, Portugal é um país periférico, mas não me parece à deriva do resto do Mundo. Há sempre oásis a aparecer e lutas a acontecer. Há muita "cena" alternativa e isso enriquece-o.

Este ano estive praticamente isolada do mundo, num local incrivelmente internacional mas, infelizmente, muito igual. Pergunto-me, como é possível que as pessoas, que vêm de todos os hemisférios e latitudes, sejam tão idênticas, tão pouco curiosas pelo mundo, tão pouco ousadas na Vida? Como é possível se contentarem com tão pouco e ainda por cima sem serem capazes de pensar se isso é o que realmente querem? Por isso, felicito-vos pela organização de algo alternativo, arrojado; algo que questiona o que entendemos ser "música". A arte não pode ser direitinha, conformada, demasiado confortável. Às vezes ela tem de ser, como diria Antonin Artaud, "cruel". Eu uso a música para as questionar sobre tudo isto, como provocação. Mas sempre de forma "amável", sem gritos histéricos. Sempre com muita calma. Por isso faço "performances".

Estar nesta universidade foi-me muito enriquecedor. Aprendi o que é improvisação, que eu transformo em performance, e encontrei os livros que justificam tudo o que faço. Portugal deu-me coisas boas, claro, mas faltaram estas duas coisas: livros e improvisação. Por isso, há que continuar, espero que com apoios da próxima vez, porque um mundo sem alternativas é um mundo cruel! Parabéns pelo vosso esforço e vou ficar atenta às vossas actividades.»

Teresa